Feira da Vida - Capítulo 5 (05/07/2021)

Feira da Vida

uma novela de Leandro Gomes

Temporada 1 / Episódio 5




  

*(CENA 1 / CASA DE ZENILDA / MANHÃ)*

ZENILDA: Obrigado amiga, por me ajudar com a folgada da minha sobrinha.


FLÁVIA: Amigas são para isso. Estou sempre à disposição. Agora, eu tenho que ir ao banco.


ZENILDA: Eita, vai sacar dinheiro agora no meio do mês?


FLÁVIA: Na verdade é uma longa história. Resumindo, a minha barraca na feira pegou fogo e o dono da Feira da Vida, aquela empresa de frutas, me pagou 800 mil de indenização.


ZENILDA: Meu deus, o Reginaldo Cardoso? Aquele que foi atropelado ontem?


FLÁVIA: Atropelado? Meu deus como assim? 


ZENILDA: Amiga, está em todos os jornais, olha só.


[ Zenilda liga a TV e coloca no Desastre Alerta ]


APRESENTADOR: Estamos agora na frente do Hospital Jorge Luís, onde o empresário Reginaldo Cardoso, dono das empresas Feira da Vida, está internado. Ontem a noite, ele foi atropelado após salvar a vida de uma transexual. 


SUELEN: MAS QUE CARALHO. VOCÊS DE NOVO? SAI DAQUI CAPETAS


APRESENTADOR: Senhora, estamos fazendo nosso papel de informar ao telespectador…


SUELEN: INFORMAR O QUE INFERNO, VOCÊS TÃO AQUI DESDE ONTEM ENCHENDO O SACO. VÃO GRAVAR EM OUTRO LUGAR


[ Zenilda desliga a TV ]


FLÁVIA: Meu deus coitado. Será que eu devo ir visitar? Afinal ele salvou minha vida com esse cheque.


ZENILDA: Na minha opinião, acho que talvez uma visita não faça mal.


[ Flávia fica pensativa ]

 


*(CENA 2 / CASA DE SOCORRO / TARDE)*


[ Socorro está olhando a correspondência, até que ela acha uma carta em seu nome ]


SOCORRO: Mais que capeta é isso? Quem manda carta em 2021?


[ Socorro abre a carta e lê ]


 *“Me encontre no beco da Rua Piranha amanhã a noite. Você sabe muito bem o lugar. Não ouse contar nada a polícia, se não eu exponho tudo o que você e fez e essa sua fortuna vai toda para o ralo”*


[ Socorro fica estática olhando a carta ]


SOCORRO: Mas o que é isso...

 


*| Ao som de “The Rose Song” - Olívia Rodrigo, são mostradas paisagens da cidade até chegar no Hospital Luis |*

 


*(CENA 3 / HOSPITAL LUÍS / TARDE)*


[ Flávia chega e fala com a recepcionista ]


FLÁVIA: Boa tarde, eu queria encontrar o senhor Reginaldo Cardoso


SECRETÁRIA: A senhora é da família?


FLÁVIA: Não, mas é que eu vim fazer uma visita. Eu sou conhecida dele. Deixa eu te contar a história...


SECRETÁRIA: Desculpe senhora, apenas família.


FLÁVIA: Nossa que grossa. Nem quis ouvir a história. Pois bem, estou indo.


[ Flávia sai do hospital, mas se depara com uns médicos entrando por uma porta escrito "apenas funcionários" ]


FLÁVIA: Hm interessante


[ Flávia entra pela porta ]

 


*(CENA 4 / CORREDORES DO HOSPITAL / FIM DE TARDE)*


[ Flávia está caminhando pelos corredores do hospital ]


[ Flávia se depara com Suelen fumando um cigarro ]


FLÁVIA: Ei moça, você não tem respeito? Olha aí ó, “P-R-O-I-B-I-D-O C-I-G-A-R-RO”, você não viu por acaso?


SUELEN: Pelo amor, ô sua intrometida, cuida da sua…ei eu te conheço


FLÁVIA: Eu também, você é a mulher do Cardoso


[ Suelen olha para Flávia a estranhando ]

 

 

ABERTURA: FEIRA DA VIDA | Abertura da Web Novela | OFICIAL (jun/ago 2021)

 

VOLTA DO INTERVALO:

 


*(CENA 5 / HOSPITAL JORGE LUÍS / TARDE)*

 

SUELEN: Desembucha! O que você veio fazer aqui? Claramente você não tem dinheiro o suficiente para pagar esse hospital.

 

FLÁVIA: Mas quanta grosseria. Você claramente não teve educação na sua vida, não é?

 

SUELEN: Mas quanto afronte! Escuta, você tem cinco segundos para sair da minha frente antes que eu chame os seguranças.

 

FLÁVIA: Você não vai chamar ninguém sua dondoca. E mais, saiba que foi nesse hospital que eu tive meus dois filhos!

 

SUELEN: CAGUEI. VAZA DAQUI

 

FLÁVIA: Diga ao Senhor Cardoso que eu desejo melhoras, e que eu tenho pena dele por ter uma mulher como você.

 

[ Suelen manda o dedo do meio para Flávia ]

 

[ Flávia se retira ]

 

SUELEN: Rameira

 

 

*(CENA 6 / CARRO DE LUDMILLA / FIM DE TARDE)*

 

LUDMILLA: Então, estamos sozinhas, você pode confiar em mim. Conta o resto da história.

 

RAÍSSA: Muito bem, vamos lá. Como você já sabe a minha mãe e a Paulinha eram melhores amigas e as duas se conheceram trabalhando no bordel. Tudo estava indo bem e o bordel estava fazendo um sucesso estrondoso. Até que um dia...elas se apaixonaram juntas por um homem.

 

LUDMILLA: Quem era? 

 

RAÍSSA: Eu não sei..., e nem importa. Seja lá quem for aquele desgraçado, ele fez as duas ficarem disputando ele apenas por ego, e isso destruiu a amizade delas. E no final, ele simplismente sumiu e nunca mais apareceu

 

LUDMILLA: Que horror! E o que houve depois? 

 

RAÍSSA: Tudo desmoronou. As duas brigaram feio, e nesse meio tempo, a Paulinha foi promovida a dona do bordel. Foi aí que...

 

*FLASHBACK*

 

 

*(CASA DAS SETE MULHERES, Quinze anos atrás)*

 

RENATINHA: (Susana Vieira): Paulinha? Onde está você? Me chamou pra briga e agora vai se esconder?

 

[ Renatinha acende as luzes do quarto e se assusta ]

 

RENATINHA: Mas o que é isso? Onde estão minhas coisas? 

 

[ Paulinha entra no quarto ]

 

RENATINHA: Paulinha, o que está acontecendo? Cadê minhas coisas?

 

PAULINHA: Renata, eu sinto muito, mas infelizmente nossa parceria acabou.

 

RENATINHA: Do que está falando sua vadia suja

 

PAULINHA: Por favor, não torne isso mais difícil do que já é. Suas coisas estão na porta.

 

RENATINHA: Paula, pelo amor de deus, esse lugar é o meu sustento, você não pode fazer isso comigo. Você nem tem esse direito! A não ser que…

 

[ Paulinha vira o rosto para Renatinha ]

 

RENATINHA: Paula eu não acredito…

 

PAULINHA: Bem, você já foi avisada. Adeus

 

RENATINHA: SUA DESGRAÇADA! VOCÊ ESTÁ SE ACHANDO DESDE QUE VIROU A DONA DESSA BORDEL! COMO PODE SE ACHAR NO DIREITO DE ME EXPULSAR!

 

[ Paulinha continua com o rosto virado e começa a chorar ]

 

[ Renatinha sai do quarto e vai até a entrada | Todas as outras colegas de trabalho estão na porta ]

 

RENATINHA: RAIMUNDA, COMO VOCÊ PODE DEIXAR ISSO ACONTECER

 

RAIMUNDA: Renatinha, eu...me perdoa

 

RENATINHA: VOCÊ TAMBÉM? COMO QUE EU VOU SUSTENTAR MINHA FILHA? ISSO É UMA INJUSTIÇA

 

PAULINHA: RENATA CHEGA! SE VOCÊ NÃO SAIR EU…

 

RENATINHA: VOCÊ O QUE? VAI ME EXPULSAR? ME EXPULSAR DO LUGAR ONDE NOS CONHECEMOS? COMO O MEU DINHEIRO? PODE DEIXAR QUE EU SAIO SOZINHA.

 

[ Renatinha pega suas coisas e se dirige a saída ]

 

[ Todas as kengas estão chorando ]

 

RENATINHA: MAS QUE FIQUE BEM CLARO. EU VOU VOLTAR E EU VOU CONSEGUIR TUDO O QUE ERA MEU DE VOLTA, NEM QUE ISSO CUSTE MINHA VIDA!

 

[ Renatinha vai embora ]

 

*FIM DO FLASHBACK*

 

LUDMILLA: Meu deus…eu não sabia dessa versão. Na verdade eu nunca entendi o que aconteceu.

 

RAÍSSA: O que aconteceu foi que a Paulinha expulsou a melhor amiga dela do trabalho por birra.

 

LUDMILLA: Olha, eu não sei se eu confio 100% nessa história. A Paulinha é tão gentil e carinhosa.

 

RAÍSSA: Ela é uma fingida, isso sim. Agora por favor, não conte nada.

 

LUDMILLA: Seu segredo está guardado, mas acho que é melhor você investigar mais antes de tomar uma decisão precipitada.

 

RAÍSSA: Eu já estou investigando há anos. Agora é hora da minha vingança e eu não vou parar meu plano. É melhor você não se meter.

 

[ Ludmilla se assusta com o tom de Raíssa ]

 

 

*(CENA 7 / HOSPITAL JORGE LUÍS / TARDE)*

 

[ Flávia está saindo do hospital, até que uma enfermeira vem falar com ela ]

 

ENFERMEIRA: Moça, desculpe. Por acaso você é Flávia Sururu? A moça que teve o bebê roubado da maternidade?

 

 

*(CENA 8 / SHOPPING BABILÔNIA / NOITE)*

 

ENFERMEIRA: Que maravilha. E como vai o marido?

 

FLÁVIA: Aquele embuste? Morreu! Parada cardíaca

 

ENFERMEIRA: Que horror! Ele fumava muito? Bebia?

 

FLÁVIA: Isso tudo e mais um pouco. No final, ainda tinha a pachorra de sair a noite para me trair com puta.

 

ENFERMEIRA: Mais que embuste hein!

 

FLÁVIA: Nossa, olha a hora, eu tenho que voltar para a casa. Minha filha deve estar preocupada.

 

ENFERMEIRA: Foi um prazer te conhecer Flávia.

 

FLÁVIA: O prazer foi meu, estava precisando de um programinha desses para desestressar. E você nem me disse seu nome.

 

ENFERMEIRA: Meu nome é Joana. Qualquer coisa me chama no zap e a gente sai de novo.

 

FLÁVIA: Claro querida. Tchau

 

[ Flávia se levanta da mesa e vai embora ] 

 

 

*(CENA 9 / BECO DA RUA PIRANHA / NOITE)*

 

[ Socorro chega no lugar ]

 

SOCORRO: Mas quanta puta. Que nojo.

 

MULHER: Que pena Socorro

 

[ Socorro olha para a mulher ]

 

SOCORRO: Mas quem é você? Eu achei que fosse...pera, eu sei quem você é. O que você quer de mim? Quer dinheiro? E aquela palhaçada de carta? Aquilo foi um golpe baixíssimo.

 

RAISSA: Olha só quem fala. Logo você que vive dando golpe nos outros. Ou você acha que eu não sei da sua trajetória. 

 

SOCORRO: Cala essa boca. Diz logo a que veio.

 

RAISSA: Pois bem, eu quero a sua ajuda. Eu quero vingança contra a Paulinha e quero destruir o bordel dela.

 

SOCORRO: Você quer destruir a Casa das Sete Mulheres? Por que?

 

RAISSA: Você sabe muito bem o porquê. A Paulinha expulsou minha mãe, deixou ela na pobreza até a morte. 

 

SOCORRO: Eu sei o que aconteceu.

 

RAISSA: Mas é claro que sabe. Você trabalhava lá naquela época não era?

 

SOCORRO: Eu tenho nojo daquele bordel e daquelas putas.

 

RAISSA: Eu quero que você me dê abrigo até eu conseguir realizar meu plano. E lógico, também quero alguns dos seus contatos para me ajudar.

 

SOCORRO: E o que eu ganho eu troca? Vai fazer sexo comigo? Saiba que você não faz meu tipo.

 

RAISSA: Eu não exponho o seu esquema de tráfico de crianças, ou o assasinato do seu marido, ou…

 

SOCORRO: Já Chega. Você até que é espertinha né.

 

RAISSA: Obrigado pelo elogio. Pois bem, eu chego lá amanhã bem cedinho. Se prepare.

 

[ Raissa se retira, rodando sua bolsinha ]

 

SOCORRO: QUE DESGRAÇA!

 

A CENA CONGELA EM SOCORRO E GANHA UM FILTRO AMARELO

 

© CBE 2021


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