Feira da Vida
uma novela de Leandro Gomes
Temporada 1 / Episódio 5
*(CENA 1 / CASA DE ZENILDA / MANHÃ)*
ZENILDA: Obrigado amiga, por me ajudar com a folgada da minha sobrinha.
FLÁVIA: Amigas são para isso. Estou sempre à disposição. Agora, eu tenho que ir ao banco.
ZENILDA: Eita, vai sacar dinheiro agora no meio do mês?
FLÁVIA: Na verdade é uma longa história. Resumindo, a minha barraca na feira pegou fogo e o dono da Feira da Vida, aquela empresa de frutas, me pagou 800 mil de indenização.
ZENILDA: Meu deus, o Reginaldo Cardoso? Aquele que foi atropelado ontem?
FLÁVIA: Atropelado? Meu deus como assim?
ZENILDA: Amiga, está em todos os jornais, olha só.
[ Zenilda liga a TV e coloca no Desastre Alerta ]
APRESENTADOR: Estamos agora na frente do Hospital Jorge Luís, onde o empresário Reginaldo Cardoso, dono das empresas Feira da Vida, está internado. Ontem a noite, ele foi atropelado após salvar a vida de uma transexual.
SUELEN: MAS QUE CARALHO. VOCÊS DE NOVO? SAI DAQUI CAPETAS
APRESENTADOR: Senhora, estamos fazendo nosso papel de informar ao telespectador…
SUELEN: INFORMAR O QUE INFERNO, VOCÊS TÃO AQUI DESDE ONTEM ENCHENDO O SACO. VÃO GRAVAR EM OUTRO LUGAR
[ Zenilda desliga a TV ]
FLÁVIA: Meu deus coitado. Será que eu devo ir visitar? Afinal ele salvou minha vida com esse cheque.
ZENILDA: Na minha opinião, acho que talvez uma visita não faça mal.
[ Flávia fica pensativa ]
*(CENA 2 / CASA DE SOCORRO / TARDE)*
[ Socorro está olhando a correspondência, até que ela acha uma carta em seu nome ]
SOCORRO: Mais que capeta é isso? Quem manda carta em 2021?
[ Socorro abre a carta e lê ]
*“Me encontre no beco da Rua Piranha amanhã a noite. Você sabe muito bem o lugar. Não ouse contar nada a polícia, se não eu exponho tudo o que você e fez e essa sua fortuna vai toda para o ralo”*
[ Socorro fica estática olhando a carta ]
SOCORRO: Mas o que é isso...
*| Ao som de “The Rose Song” - Olívia Rodrigo, são mostradas paisagens da cidade até chegar no Hospital Luis |*
*(CENA 3 / HOSPITAL LUÍS / TARDE)*
[ Flávia chega e fala com a recepcionista ]
FLÁVIA: Boa tarde, eu queria encontrar o senhor Reginaldo Cardoso
SECRETÁRIA: A senhora é da família?
FLÁVIA: Não, mas é que eu vim fazer uma visita. Eu sou conhecida dele. Deixa eu te contar a história...
SECRETÁRIA: Desculpe senhora, apenas família.
FLÁVIA: Nossa que grossa. Nem quis ouvir a história. Pois bem, estou indo.
[ Flávia sai do hospital, mas se depara com uns médicos entrando por uma porta escrito "apenas funcionários" ]
FLÁVIA: Hm interessante
[ Flávia entra pela porta ]
*(CENA 4 / CORREDORES DO HOSPITAL / FIM DE TARDE)*
[ Flávia está caminhando pelos corredores do hospital ]
[ Flávia se depara com Suelen fumando um cigarro ]
FLÁVIA: Ei moça, você não tem respeito? Olha aí ó, “P-R-O-I-B-I-D-O C-I-G-A-R-RO”, você não viu por acaso?
SUELEN: Pelo amor, ô sua intrometida, cuida da sua…ei eu te conheço
FLÁVIA: Eu também, você é a mulher do Cardoso
[ Suelen olha para Flávia a estranhando ]
ABERTURA: FEIRA DA VIDA | Abertura da Web Novela | OFICIAL (jun/ago 2021)
VOLTA DO INTERVALO:
*(CENA 5 / HOSPITAL JORGE LUÍS / TARDE)*
SUELEN: Desembucha! O que você veio fazer aqui? Claramente você não tem dinheiro o suficiente para pagar esse hospital.
FLÁVIA: Mas quanta grosseria. Você claramente não teve educação na sua vida, não é?
SUELEN: Mas quanto afronte! Escuta, você tem cinco segundos para sair da minha frente antes que eu chame os seguranças.
FLÁVIA: Você não vai chamar ninguém sua dondoca. E mais, saiba que foi nesse hospital que eu tive meus dois filhos!
SUELEN: CAGUEI. VAZA DAQUI
FLÁVIA: Diga ao Senhor Cardoso que eu desejo melhoras, e que eu tenho pena dele por ter uma mulher como você.
[ Suelen manda o dedo do meio para Flávia ]
[ Flávia se retira ]
SUELEN: Rameira
*(CENA 6 / CARRO DE LUDMILLA / FIM DE TARDE)*
LUDMILLA: Então, estamos sozinhas, você pode confiar em mim. Conta o resto da história.
RAÍSSA: Muito bem, vamos lá. Como você já sabe a minha mãe e a Paulinha eram melhores amigas e as duas se conheceram trabalhando no bordel. Tudo estava indo bem e o bordel estava fazendo um sucesso estrondoso. Até que um dia...elas se apaixonaram juntas por um homem.
LUDMILLA: Quem era?
RAÍSSA: Eu não sei..., e nem importa. Seja lá quem for aquele desgraçado, ele fez as duas ficarem disputando ele apenas por ego, e isso destruiu a amizade delas. E no final, ele simplismente sumiu e nunca mais apareceu
LUDMILLA: Que horror! E o que houve depois?
RAÍSSA: Tudo desmoronou. As duas brigaram feio, e nesse meio tempo, a Paulinha foi promovida a dona do bordel. Foi aí que...
*FLASHBACK*
*(CASA DAS SETE MULHERES, Quinze anos atrás)*
RENATINHA: (Susana Vieira): Paulinha? Onde está você? Me chamou pra briga e agora vai se esconder?
[ Renatinha acende as luzes do quarto e se assusta ]
RENATINHA: Mas o que é isso? Onde estão minhas coisas?
[ Paulinha entra no quarto ]
RENATINHA: Paulinha, o que está acontecendo? Cadê minhas coisas?
PAULINHA: Renata, eu sinto muito, mas infelizmente nossa parceria acabou.
RENATINHA: Do que está falando sua vadia suja?
PAULINHA: Por favor, não torne isso mais difícil do que já é. Suas coisas estão na porta.
RENATINHA: Paula, pelo amor de deus, esse lugar é o meu sustento, você não pode fazer isso comigo. Você nem tem esse direito! A não ser que…
[ Paulinha vira o rosto para Renatinha ]
RENATINHA: Paula eu não acredito…
PAULINHA: Bem, você já foi avisada. Adeus
RENATINHA: SUA DESGRAÇADA! VOCÊ ESTÁ SE ACHANDO DESDE QUE VIROU A DONA DESSA BORDEL! COMO PODE SE ACHAR NO DIREITO DE ME EXPULSAR!
[ Paulinha continua com o rosto virado e começa a chorar ]
[ Renatinha sai do quarto e vai até a entrada | Todas as outras colegas de trabalho estão na porta ]
RENATINHA: RAIMUNDA, COMO VOCÊ PODE DEIXAR ISSO ACONTECER
RAIMUNDA: Renatinha, eu...me perdoa
RENATINHA: VOCÊ TAMBÉM? COMO QUE EU VOU SUSTENTAR MINHA FILHA? ISSO É UMA INJUSTIÇA
PAULINHA: RENATA CHEGA! SE VOCÊ NÃO SAIR EU…
RENATINHA: VOCÊ O QUE? VAI ME EXPULSAR? ME EXPULSAR DO LUGAR ONDE NOS CONHECEMOS? COMO O MEU DINHEIRO? PODE DEIXAR QUE EU SAIO SOZINHA.
[ Renatinha pega suas coisas e se dirige a saída ]
[ Todas as kengas estão chorando ]
RENATINHA: MAS QUE FIQUE BEM CLARO. EU VOU VOLTAR E EU VOU CONSEGUIR TUDO O QUE ERA MEU DE VOLTA, NEM QUE ISSO CUSTE MINHA VIDA!
[ Renatinha vai embora ]
*FIM DO FLASHBACK*
LUDMILLA: Meu deus…eu não sabia dessa versão. Na verdade eu nunca entendi o que aconteceu.
RAÍSSA: O que aconteceu foi que a Paulinha expulsou a melhor amiga dela do trabalho por birra.
LUDMILLA: Olha, eu não sei se eu confio 100% nessa história. A Paulinha é tão gentil e carinhosa.
RAÍSSA: Ela é uma fingida, isso sim. Agora por favor, não conte nada.
LUDMILLA: Seu segredo está guardado, mas acho que é melhor você investigar mais antes de tomar uma decisão precipitada.
RAÍSSA: Eu já estou investigando há anos. Agora é hora da minha vingança e eu não vou parar meu plano. É melhor você não se meter.
[ Ludmilla se assusta com o tom de Raíssa ]
*(CENA 7 / HOSPITAL JORGE LUÍS / TARDE)*
[ Flávia está saindo do hospital, até que uma enfermeira vem falar com ela ]
ENFERMEIRA: Moça, desculpe. Por acaso você é Flávia Sururu? A moça que teve o bebê roubado da maternidade?
*(CENA 8 / SHOPPING BABILÔNIA / NOITE)*
ENFERMEIRA: Que maravilha. E como vai o marido?
FLÁVIA: Aquele embuste? Morreu! Parada cardíaca
ENFERMEIRA: Que horror! Ele fumava muito? Bebia?
FLÁVIA: Isso tudo e mais um pouco. No final, ainda tinha a pachorra de sair a noite para me trair com puta.
ENFERMEIRA: Mais que embuste hein!
FLÁVIA: Nossa, olha a hora, eu tenho que voltar para a casa. Minha filha deve estar preocupada.
ENFERMEIRA: Foi um prazer te conhecer Flávia.
FLÁVIA: O prazer foi meu, estava precisando de um programinha desses para desestressar. E você nem me disse seu nome.
ENFERMEIRA: Meu nome é Joana. Qualquer coisa me chama no zap e a gente sai de novo.
FLÁVIA: Claro querida. Tchau
[ Flávia se levanta da mesa e vai embora ]
*(CENA 9 / BECO DA RUA PIRANHA / NOITE)*
[ Socorro chega no lugar ]
SOCORRO: Mas quanta puta. Que nojo.
MULHER: Que pena Socorro
[ Socorro olha para a mulher ]
SOCORRO: Mas quem é você? Eu achei que fosse...pera, eu sei quem você é. O que você quer de mim? Quer dinheiro? E aquela palhaçada de carta? Aquilo foi um golpe baixíssimo.
RAISSA: Olha só quem fala. Logo você que vive dando golpe nos outros. Ou você acha que eu não sei da sua trajetória.
SOCORRO: Cala essa boca. Diz logo a que veio.
RAISSA: Pois bem, eu quero a sua ajuda. Eu quero vingança contra a Paulinha e quero destruir o bordel dela.
SOCORRO: Você quer destruir a Casa das Sete Mulheres? Por que?
RAISSA: Você sabe muito bem o porquê. A Paulinha expulsou minha mãe, deixou ela na pobreza até a morte.
SOCORRO: Eu sei o que aconteceu.
RAISSA: Mas é claro que sabe. Você trabalhava lá naquela época não era?
SOCORRO: Eu tenho nojo daquele bordel e daquelas putas.
RAISSA: Eu quero que você me dê abrigo até eu conseguir realizar meu plano. E lógico, também quero alguns dos seus contatos para me ajudar.
SOCORRO: E o que eu ganho eu troca? Vai fazer sexo comigo? Saiba que você não faz meu tipo.
RAISSA: Eu não exponho o seu esquema de tráfico de crianças, ou o assasinato do seu marido, ou…
SOCORRO: Já Chega. Você até que é espertinha né.
RAISSA: Obrigado pelo elogio. Pois bem, eu chego lá amanhã bem cedinho. Se prepare.
[ Raissa se retira, rodando sua bolsinha ]
SOCORRO: QUE DESGRAÇA!
A CENA CONGELA EM SOCORRO E GANHA UM FILTRO AMARELO
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